Ophelia já não mora aqui

Posted Agosto 30, 2008 by Fokas
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The Cranberries & Rammstein / theatre of tragedy

Banda sonora para Ophelia parte 1

A Gente não lê

Posted Agosto 16, 2008 by Fokas
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Isabel Silvestre

 

Quisera eu ter uma voz desta e nunca me calava!

Posted Agosto 16, 2008 by Fokas
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King Crimson - 21st Century Schizoid Man (1969)

Andei esta tarde à solta!

Piratas

Posted Agosto 16, 2008 by Fokas
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Emerson, Lake and Palmer - Pirates (1977)

O Sr. Tp que se cuide…já que a Medeia desapareceu do mapa!
Não vão haver sobreviventes!

Des(amores)

Posted Agosto 5, 2008 by Fokas
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Gosto de ler o Lobo Antunes e sobretudo das crónicas que vai publicando na “Visão”. Sempre tive uma admiração imensa por esse louco apaixonado. Não me mete medo mas que me perturba… confesso. Ele é um Outro como dizia o Barthes e a sua loucura é uma experiência de personalização. O texto mais recente “As mulheres têm um fio desligado”  é um master piece da ironia, a quem a idade tem transformado a vida em algum conhecimento…porque já não quer fazer batota…nem jogar às cartas sózinho…diz ele.

Era também um rasca como os outros…coitado…agora sofre com a doença…tenho pena dele…uma vez levou a nova namorada que era minha amiga ao mesmo restaurande e, disse-lhe exactamente a mesma coisa que me tinha dito na semana passada. E tu? Eu, mandei-lhe  depois dizer que o melhor era fazer fotocópias do discurso e que fosse gozar com a mãezinha dele. Sim, cobarde, idiota, desonesto e rasca como todos os homens inteligentes que eu conheci. Todos? Sim todos..tirando tu que és parvo!

“Perguntei à minha amiga.

- E depois de ele se ir embora?

- Depois chorei um bocado e passou-me.”

PS: Estou farto deste design…vou passar a fio desligado.

As invasões…estão de férias!

Posted Agosto 1, 2008 by Fokas
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Este post estava para se chamar questões de Ética…mas para não ouvir mais sermões de Santo António aos peixinhos, vou deixar essa temática para melhores dias.

Vou antes falar de encontros inter-subjectivos ( curto bué palavras que escondem o que se quer dizer) na leitura de JLPeixoto. E ele escreve sem medo..”não sei se vou aguentar…meu amor”.

A autencicidade…(sim porque só copio aquilo que me interessa) reside num acto violententamente transgressor.  Para quem viu e (vimos todos…mesmo às escondidas) “O Império dos Sentidos”, o filme de culto do japonês Nagisa Oshima, dos anos 70 que contava a história de amor entre dois amantes que se realiza na tortura mútua até à morte. O ponto extremo em que se produz a inversão, talvez seja aquele que estamos hoje a viver nos tempos da “coisa”: quando nos aproximamos demais do objecto de desejo, o confronto directo com o “real”… transforma o fascínio erótico em repulsa.

Adiante. Diz-se muitas vezes que não se deve confundir ficção e realidade, - a realidade é um produto discursivo -, uma ficção simbólica que apreendemos, erroneamente , como uma entidade substancial e autónoma. Eu próprio tenho defendido este principio pós-modernista, com unhas e dentes e, cheguei mesmo a utilizar abusivamente a famosa frase de Flaubert…quando farto das perguntas idiotas de alguém que lhe fazia, sobre quem era afinal a Madame Bouvary ele respondeu: “Madame Bouvary c’est moi!”.

O que é que o Flaubert tem a ver com o  JLPeixoto? Perguntam e muito bem. E eu respondo-vos já: tem tudo! Porque ao contrário daquilo que parece, certa psicanálise de “bistrot”, muito na moda por aqui…. inverte a proposição: não se deve tomar a realidade por ficção, ou seja, temos que distinguir, naquilo que  aprendemos como pertencendo ao domínio da ficção…o núcleo sólido do “real”, que só podemos enfrentar se o ficcionarmos. Em suma, temos que distinguir como parte da realidade, o fantasma e o mandrake que existem em todos nós, que pode ser apreendida no “modo” simples de ficção.

Ora é muito mais difícil reconhecer a parte de ficção na realidade “real”, do que denunciar e desmarcarar como ficção… o que nos parece a realidade. Levo-vos para outro filme que todos conhecem, “A Pianista”, uma adaptação  de um romance da austriaca Elfriede Jelinek ( Prémio Nobel… sim meus meninos… a ver e a ler!), conta a história  de uma paixão, preversa, entre um jovem pianista e a sua professora mais velha, uma inversão do célebre filme “Anjo Azul” ( sim…temos também entre nós uma Lungu), onde o professor Unrat se apaixona pela linda  Marlene Dietrich.

Concluindo. E aqui entramos no domínio privado das invasões do JLPeixoto. O verdadeiro objecto da angústia é precisamente a “sobre”proximidade do desejo do Outro. É aí que assenta a economia libidinal (sim,  é um ganda palavrão…mas tenho a mania que sou freudiano), quando os bárbaros  começam a provocar a inquietação no leitor. A finalidade não é a de procovar o prazer do Outro…mas a de provocar a sua angústia pela forma pormenorizada e masoquista das diferentes maneiras de maltratar as personagens… É essa revelação, esse espectáculo, que em vez de provocar o gozo, provoca pelo contrário, a repulsa do leitor. Sem limites sem moral sim…porque escreve (e é público)…sem medo da escuridão!

Muito obrigado pela vossa atenção e boas leituras…que eu vou pra lá de Marrachesch… onde tanta coisa, tanta coisa… coisa, mexe, mexe!

Nivea for Men…pure and control

Posted Julho 29, 2008 by Fokas
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Não dá para acreditar…conheci-o num comboio este Inverno…já era noite e eu voltava para casa, às seis horas e dezassete minutos, quatro minutos depois do apito do chefe de estação da CP dar o sinal de partida.  Eu tinha-me aconchegado num assento de primeira classe quando o vi passar, parar, olhar para mim e sentar-se à minha frente, na mesma fileira de lugares que eu tinha escolhido. Logo que o comboio arrancou abriu a mochila e colocou o portátil em cima da mesinha ao lado da janela.

Eu amava-o, amava-o desde sempre, desde o primeiro dia que tinha visto um video dele sobre a Second Life. Tinha-o em casa só para mim, e na minha memória tinha um gesto recordado dos Blurs, uma lembrança da sua magia e do seu rosto e isso chegava-me muitas vezes para apaziguar a minha solidão.

E com um dos seus gestos sofisticados , enigmáticos, esquisitíssimos do seu rosto, cumprimentou-me…com um levantar de cabeça..como a dizer…olá..estás bem? E eu não sei porquê, no meio do barulho do comboio já a andar, fiz “touch”…e sentei-me nos seus joelhos.  E muitas mãos passaram pelo meu corpo antes de eu acordar. Muito frequentemente tinha sonhado com ele, tinha feito amor com ele muitas vezes, e  finalmente por uma vez, alguém idêntico… se sentou à minha frente no comboio.

Não há nada de tão profundo como a pele, dizia ele ( a frase está a ser copiada evidentemente… e já não era boa no original , mas ainda me lembro, uma pessoa lembra-se de parvoíces, sobretudo de parvoíces…).  Com  o meu pintor, o galerista de NY, tinha tido os orgasmos mais bruscos, violentos e explosivos que alguma vez tinha sentido…mas com ele era diferente…como se fosse um médico tinha aprendido a delicadeza… tocava-me com um sabedoria que eu nunca mais voltei a encontrar…

Uma casa na escuridão

Posted Julho 28, 2008 by Fokas
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“A minha mãe tinha um filho, era casada e, mesmo nos momentos mais humilhantes, a minha mãe acreditou sempre que o meu pai ainda iria olhar para ela com os mesmos olhos com que lhe perguntara queres casar comigo?, e um olhar que ela entendeu ser um olhar para a vida inteira.”

“Uma casa na escuridão”, JLPeixoto.

Teve azar. O meu pai começou a olhar para outra e seguiu o seu caminho… Nessa altura não me pronunciei logo, na noite em que ele saiu de casa. Achei que sabia o que estava a fazer e fiquei a consolar a minha mãe que não acreditava no que lhe estava a acontecer. No dia em que ele morreu, a minha mãe começou a rasgar, às gargalhadas, as fotos que tinha guardadas no baú. Era bom sinal porque finalmente tinha aberto aquela caixa cheia de pó. E depois ao contrário da outra estória, disse-me…vai ter com ela e com a filha dela, tenho a certeza que vão gostar de te conhecer! E eu não disse nada, não tive outro remédio senão dizer-lhe que o faria, e de tanto lho dizer, continuei a repeti-lo para mim próprio. Um dia destes vou conhecer a mulher e a filha do meu pai…

Viva o povo brasileiro!

Posted Julho 27, 2008 by Fokas
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A atribuição do Prémio Camões de 2008 a João Ubaldo Ribeiro não me surpreende, antes pelo contrário.

Lembro-me de há uns anos quando decidi voltar a casa… à Faculdade de Letras de Lisboa, para frequentar o Mestrado de História e Cultura do Brasil, na entrevista da minha candidatura, o director do programa, o Professor Dr. António Dias Farinha, que mais tarde… foi meu Professor de História do Brasil e de Árabe…perguntou-me se eu conhecia… ou tinha lido algum autor brasileiro recentemente.

Fiquei meio embasbacado com a pergunta…porque o nome que me surgiu…foi o de João Ubaldo Ribeiro. Não me lembrei de mais ninguém… tinha acabado de ler “A Casa dos Budas Ditosos” e ainda estava a pairar na sensualidade e no erotismo de um texto, feito por encomenda, um conto perturbador… (mesmo para quem sempre se assumiu como parvo, freudiano e com irmãs).

Mas afastado da literatura brasileira há muito tempo, foi como muito esforço que me lembrei do “Viva o Povo Brasileiro”, um livro que anos atrás, tinha começado e nunca terminado… do mesmo autor. Apenas me recordo da cara do senhor Doutor, de espanto…sem entender… muito bem… a quem eu me estava a referir. Recebi uma gargalhada seca de outra presença no cubículo…que entendeu o meu embaraço e aquilo que eu estava a tentar disfarçar…felizmente era um ilustre desconhecido e não conhecia ninguém entre os cinco membros da sala, o que não deixava de ser curioso…tendo sido aluno daquela escola durante cinco anos.  

Quando regressei a casa…nesse mesmo dia, voltei a pegar no “Viva o Povo Brasileiro” livro que nunca mais esqueci!   Nem de “A Casa do Budas Ditosos”, parte de uma encomenda inteligente da Companhia de Letras, a uma série de grandes autores brasileiros, sobre os sete pecados mortais!  

Falta de tempo

Posted Julho 16, 2008 by Fokas
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Tudos já sabem que adoro ler antes de adormecer, porque  não sendo horas de leitura depois de sair da “coisa”, sou parvo e durmo  sempre pouco! Hoje vou-vos contar  a estória (desculpem….mas já há anos que adoptei este brasileirismo delicioso…estória! ) de uma moça que conheci lá na semana passada, uma conversa genuínamente parva. 

“Posso dar grandes voltas à sua estória , deter-me em detalhes preciosos, fazer balanços, estabelecer comparações, traçar paralelos como forma de delinear contornos. Podia cingir-me ao impossível ou a uma grande quantidade de coisas Mas prefiro não o fazer e ser directo. Nem é sequer por timidez, é mesmo falta de tempo disponível. Há uma número de coisas ( que não vou dizer quais são, não vale a pena insistirem telepaticamente), há um número de coisa, dizia, que vou ter que fazer assim que colocar um ponto final  neste post e, apenas por isso tenho que me apressar.

(não resisto a uma breve pausa apenas para colocar um pequeno assunto à reflexão: quantas palavras  de grandes escritores…não terão sido influênciadas por detalhes minuciosos, como seja a falta de tempo? Está muito longe de mim querer comparar estas linhas ou algo que a minha alma seja capaz de produzir com aquilo que aqueles seres, destinados a serem estátuas, produziram mas, ainda assim, foram pessoas - parece que está provado - e não avatares e, como pessoas, devem ter tido ocasião de se deparar com as questões que normalmente se colocam às pessoas, e a pressa é uma delas.

Estou também ciente de que o facto de o próprio narrador - neste caso é vulgar ser confundido com o autor; não faz mal, tanto um como o outro já estão habituados e a timidez de um de outro tiveram de se camuflar neste equívoco; as timidezes, bonito plural, continuaram lá, mas estão bem camufladas mais do que as pessoas. E são mais engraçadas quando pensam que elas próprias são mais do que pessoas).

Para quem está com pressa, foi uma longa pausa, não foi? Pois foi!”.

“Verdades quase verdadeiras”, JL Peixoto, JL, Janeiro 2008,.. o gaijo que em vez das listas telefónicas… ando a ler este Verão!

Fica então para outro dia a estória da moça…mas só vos digo…foi mesmo genuinamente parva.