Hello world!

A nossa vida não nasce do nada…Olhares nos Alhures foi o começo de uma nova aventura, onde entre as letras das canções se pode aperceber uma nova realidade.  

Olhares no alhures 5

Posted by Fokas on March 13, 2008

Olha!!!! ó Casimiro! – Hoje pareces bem disposto pá!… Deixei-te uma “msg” no telemóvel a semana passada e não disseste nada… A Blimunda já está boa? Foram marchar no sábado?

- Boas Fokas…a vomitar pela cabeça como é costume…né? Acabei de passar  pela “Pequena Terra” e estava tudo em grande confusão..  é melhor ficares aqui pelos bloges! …Sim a Blimunda já está bem…o tumor chamava-se era Chicco que é o nome daquelas merdas para putos! 

- A  Blimunda?….não me venhas dizer que… a Blimunda??? Pelos vistos é uma doença que está a alastrar nas quarentonas! Agora são todas “wiccas”, pintam o cabelo de laranja, voltaram a ouvir a Loreena McKennitt…a falar de leis tríplicas…e agora querem voltar a ter putos???  Não acredito!!!

- Estás a delirar como sempre…Fokas. Não…ainda não vou ser avô! Tu é estás a ficar fora de prazo e cada dia mais estúpido! Olha… a Manuela Azevedo é ficou muito impressionada contigo depois do concerto…o Fokas está a ficar um “oldman ” desde que anda na SL…já não vem ao Porto, já nem discute futebol!!! Como vês já nem os teus amigos acreditam em ti!

- Olha Casimiro…se fosses chatear a tua prima? Deixa-me em paz que eu já tenho com que me entreter! Eu é que sei o que é chegar ao romper da aurora com duas ou três de páginas suficientemente apontadas para ser miseravelmente pago! Não queres apanhar o barco para o Barreiro? O Casimiro voltou as costas a sorrir… – Fica bem…Fokas…vê lá se aprendes de novo a sorrir…que ainda ficas com rugas na cara! E um conselho de amigo…não entres “in world” nas próximas horas sem tomares antes um Xanax!

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Olhares no alhures 4

Posted by Fokas on February 26, 2008

- Viva Casimiro, quanto  tempo pá… andas sempre desencontrado… à espera do comboio na paragem do autocarro!

Mas não tens perdido nada… As conversas da macieira morreram …Estou aqui há dias a ler “As Benevolentes” e na página 149… os alemães ainda não conseguiram matar todos os Judeus de Kiev!.  

- Sim…. Fokas estou a ver a onda…continuas na boa! Como sempre…né? 

O Casimiro vinha  com um ar pesado… – A vida finalmente já faz sentido para ti?  Olha, ainda bem, amigo, mas hoje chove muito cá dentro. Espero que não tenhas questões inúteis para conversar como é  teu hábito… estou mais a precisar de um amigo que esteja calado! Pois…a vida tal como ela é! Tu aí  sentado debaixo da macieira  a ler o teu livrinho quando afinal o que importa… não é a literatura… E há tanta maneira de se encher uma estante…

Às vezes apetece-me mandar o Casimiro aquela parte. Paternalista dos sete costados acha que a revolução é uma coisa para gente séria! O Casimiro quando quer é um gajo grosseiro e muito desagradável. Um prussiano de merda sempre em bicos dos pés… lá porque  diz que andou na Escola Alemã!  Um cabrãozeco de um intelectualóide  que adora  Freud e os “Rammstein” e quando bebe de mais…. adora gritar “Ich bin wie ich bin!” como se alguém entendesse o que quer dizer…  

- Escusas de estar a agredir-me pá, não estás farto de saber que sou teu amigo??? Sou todo ouvidos…diz lá o que queres! Queres que eu te apague a luz?

- Sim…muda aí a cena do sol….às vezes não me seduz Fokas….às vezes não me faz falta…A Blimunda está doente e  eu já na penitência…mea culpa…nunca liguei muito a prolopópos…e acontece que não sei mais o que fazer…

- A Blimunda está doente? … e depois… não estamos todos, Casimiro? (E  eu que evito sonhar com uma mulher doente. Odeio a dor… odeio o Casimiro que faz parte de mim).

- Pois é Fokas…tu continuavas a viver um romance de um dia na estrada…! Mas o Sérgio também está mais velho… Só tu é que nunca mais cresces…fica na tua idade de sonho, pá! Eu tenho que apanhar o barco para o Barreiro! Volto outro dia… fica bem e acaba a porra do livro depressa…A vida lá fora continua…um dia destes vais ter que acordar!

Dei um abraço ao Casimiro e desejei as melhoras rápidas da Blimunda! Entre nós e as palavras …o nosso dever de falar . Sim… o que mais podemos fazer? Larguei o Casimiro com os olhos húmidos. Os dias vão estar mais tristes… esta semana…pelo menos na minha aldeia.

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Olhares no alhures 3

Posted by Fokas on January 23, 2008

Ontem, debaixo da macieira em Portucalis, encontrei  mais uma vez o  meu amigo Casimiro. Falei-lhe  de um comentário que tinha recebido de um conhecido da SL , no qual me dava  por perdido…. “ O Fokas está perdido…estás desgraçada Elora!”.

- Ora não é bem assim que as conversas sérias começam. Não são uma espécie de jogo que tu jogas comigo… – disse eu ao Casimiro. 

- Sim, tens razão! Escolhe então  bem o que queres dizer… O que é que entendes por “sérias” e “jogo”? Se tu estás a jogar ou a falar a sério não sei. – respondeu-me o Casimiro.

Lembrei-me da conversa  que tinha tido com a Summer acerca das unhas…Mas não queria obviamente contar ao Casimiro detalhes íntimos de ninguém, muito menos, de uma minha conhecida na SL…. Sim! Era uma espécie de  pequena batota que eu estava a fazer com o Casimiro…

- Opá, não vais entender…

- Acho que não, Fokas…estás implicitamente a confessar que as conversas que tens aqui debaixo da macieira fazem sentido. Mas não me venhas  falar de conversas sérias!

O Casimiro que era duro dum ouvido tinha as orelhas equipadas com radar. Ainda tentei argumentar que as ideias nunca são claras e que a confusão por vezes traz alguma luz… Mas não foi o suficiente para  o convencer. Olhou-me  nos olhos  e disse-me:

-  Fokas, estás a papaguear os velhos “clichés” que toda a gente repete há centenas de anos… A maneira como confundes tudo já é um modo de fazeres batota. Só gostava que admitisses isso.

Comecei a ficar nervoso.

- Tu sentiste-te ofendido porque pensaste que ele estava a jogar um jogo contigo, enquanto tu estavas a falar a  sério! Sim. É um golpe baixo e provavelmente desonesto. Mas aceita-o pelo que vale…Se o teu conhecido disse que estavas “perdido” foi ele que estabeleceu as regras –  logo é ele que as muda  – sem te dar conhecimento. E a finalidade desta conversa, Fokas…é como a própria vida – um jogo, cujo objectivo é descobrir as regras que estão sempre a mudar e que não conseguimos descobrir.

Fiquei mudo e quedo. O Casimiro tinha tudo menos burro…e tive mesmo que parar.

- Obrigada! Já entendi o que me querias dizer. Beijinhos à Blimunda e boa noite para ti! 

 - Boa noite Fokas! Fica bem…olha …sabes porque é que os gatos brincam? Pensa bem, pá!

O Casimiro foi-se e eu fiquei sozinho debaixo da macieira a pensar…Não sei, não sei mesmo…

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Olhares no alhures 2

Posted by Fokas on December 25, 2007

“Meu caro amigo, envio-lhe um pequeno trabalho do qual se poderia dizer, sem injustiça, que não tem cabo nem rabo, já que tudo nele, é , pelo contrário, cabo e rabo, alternada e reciprocamente. Suplico-lhe que leve em consideração a conveniência admirável que tal combinação oferece a todos nós – a você, a mim e ao leitor”. (Charles Baudelaire).

Só se pode entrar no amor e na morte uma vez. É por isso que muitos eventos que ocorrem na RL, e por isso do tempo humano,  não são ligados (muito menos de forma casual) a eventos “similares”. Muito menos na SL. Assim, estarás de acordo comigo… não se pode aprender! O facto destes acontecimentos só ocurrerem uma vez aparentemente distinguem-os de outros que não pertencem à mesma categoria de evento único. Disse-me a minha amiga outro dia que não concordava comigo. E argumentava que é possível que alguém se apaixone mais do que uma vez, e algumas pessoas  até se gabam – ou se queixam – de que apaixonar-se ou deasapaixonar-se é algo que lhes acontece frequentemente. Na RL  como na SL a súbita abundância de “experiências amorosas” podem alimentar a convicção de que amar é uma habililidade que se pode adquirir e que o domínio dessa habilidade aumenta com a prática e a assiduidade do exercício. Ora como tu também sabes isso não é mais do que outra ilusão.

Neste mundo onde a instabilidade é permanente, os seres humanos, com a sua notória tendência de quebrar a a rotina e a derrubar a distinção entre o regular e o contigente ficam completamente baralhados…Ora se esta distinção não se sustenta, a aprendizagem é impossível não é?

Em suma, isto não passou de outra conversa debaixo da macieira, sobre o amor líquido, que se pode gostar ou deitar fora como uma “chiclete”.
Por isso caros leitores, amigos do Tagus Friends Weblog e  para ti em especial M2, o meu leitor mais crítico dos primeiros “Olhares”, que este Natal seja muito Feliz e que sobretudo que a vida vos seja doce !

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Olhares no alhures

Posted by Fokas on December 19, 2007

Um Avatar amigo questionava-me ontem sobre a sabedoria. Porque é que eu insistia tanto em distinguir um avatar sábio de um idiota? A resposta não é difícil apesar de poder ser um tema interessante para abrir uma discussão sobre a Second Life.
A sabedoria todos nós sabemos não é mais do que uma expressão da verdade, “uma alegria que nasce da verdade”. Não tem por isso nada a ver com a cultura livresca ou com níveis etários.
Na SL os idiotas tem quanto a mim, apenas a ver com a inconsistência dos personagens, com a ligeireza que revelam em situações perfeitamente banais, tais como possíveis na vida real.
Num mundo virtual, onde as relações interpessoais são desmaterializadas (ao alcance de um botão Connect/ Quit) como é que uma pratica discursiva, pode funcionar?
A resposta é simples.
A filosofia só é interessante quando tem a vida como objecto e só serve para pensar melhor para viver melhor, qualquer que seja a nossa vida. Aqui na SL ou lá fora.
A felicidade é portanto o caminho e talvez aqui esta máxima budista nunca tenha sido tão evidente.
Um avatar por definição, uma manifestação dos deuses nos homens, uma manifestação corporal de um ser imortal é por isso um mediador nato e portanto uma construção passível de observação como qualquer outro objecto da vida real.
Tomo apenas por exemplo, as questões de parentesco (A importância da família, de tantas manas e primos na SL, tema que poderá dar outro “post” interessante para a Summer desenvolver) , de alianças ( A proliferação de ilhas e de blogues na comunidade lusófona, como afirmação de identidades diferentes, deixo este tema para a Afro), do dom ( Veja-se o excelente folhetim do Othelo) e da troca…(A fundação recente de um clube de corações partidos pela Elora) podem por isso impor-se à atenção e depois…porque não à reflexão dos novos antropólogos do “alhures”.

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