Keep you doped with religion and sex and TV,
And you think you’re so clever and classless and free,
But you’re still fucking peasants as far as I can see,
A working class hero is something to be,
A working class hero is something to be.
Antes da Margarita me responder…toca o “Stairway to Heaven”!!!
- Hello??? Fokas Greenwood? London Calling! Coronel I. Bates( portuguese section) speaking!
- Good morning , Sir!!!
- Greenwood, não tenho tempo para palhaçadas…Vais directamente para Loulé para a pensão da Tia Anica…e na recepção repetes a senha: “E depois do Adeus”. A B. Papp…depois comunica ctg! Break a leg!
- Okidoki Coronel…Green light for go go go! Operação em marcha!!
Tinhamos agora um problema…A Maggie continuava a dormir encostada ao vidro sem dar os mínimos sinais de vida útil… – Maggie!!…acorda! tenho que te dizer uma coisa…MAGGGIE!!! Acordar a Margarita para quem não sabe, é …um problema sério! Mas lá abriu os olhos…sorriu e voltou a fechá-los. – Maggie por favor…ouve só isto! Porr…dá-me um minuto de atenção! MAGGGIE!!! Nada.
Mas ordens da OMS( Operações muito especiais) eram para cumprir..não queria ficara a flutuar na piscina do Laguna! Peguei nas chaves do Aston Martin do paizinho…e segui rumo ao Sul…
Março é um mês terrível para ir ao Algarve! Chove muito e os ingleses tomam banho em Albufeira, despejam grades de cerveja com a boca cheia de camarão! Mas serviço é serviço… e brincar com o Coronel Bates, sabia já eu por experiência própria… era pior do que colocar as mãos na brasa!
As minhas ligações com o MI5 ( Portuguese section) datavam do Verão quente de 75, quando andava a vender pulseiras de missangas em frente ao Casino de Armação de Pera. Dias de calor imenso e de grandes ganzas, apaixonado pela irmã do Zé Pedro, um dos meus companheiros de noites de praia. Adormecíamos ao som psicadélico do “Atom Heart Mother” e dos Doors…. e távasse mesmo bem.
Uma manhã bem cedo… fomos acordados por dois homens de blusão de couro e com armas na mão. Olhei em volta e verifiquei que os meus companheiros ainda dormiam….Ia haver cena se ainda houvesse alguma coisa para fumar…o que francamente duvidava. A noite tinha sido longa e fixola, divertidos a jogar à forca, desporto intelectual de grande nível… com os nomes dos vocalistas de bandas de rock . Quem era a vocalista que começava por N…que dormia com o baterista? Dois nomes V…U…O Zé Pedro que nessa altura já era roqueiro ganhava quase sempre. – Nico!!!! Respondia sem hesitar!!! E assim se passavam as horas…entre mais um charro e novas gargalhadas!
O pai do famoso Coronel Bates, tinha comprado uma propriedade em Silves onde normalmente passava as suas férias. O filho mais velho, o jovem e brilhante oficial, matemático de carreira, possuía da parte da mãe, sangue sefardita e tinha vivido toda a sua juventude em Marrocos. Dominava o inglês e o árabe como ninguém. O pai, o famoso arabista W. H. Bates tinha já uma longa relação com os serviços secretos britânicos desde os tempos de Casablanca. O filho acabou naturalmente por seguir-lhe os passos. Foi ele quem delicadamente, com a arma na mão, me dirigiu a palavra. – Tudo bem por aqui? Os teus amigos ainda estão a dormir?…grande noitada! Fazem bem… quando era mais novo também gostava de dormir na praia!. Olha lá ó John Lennon dos Olivais…viste alguma coisa estranha na praia? Esta madrugada…barcos…carga…não deves ter visto nada…claro!
- Não…respondi com algum receio…não se passou nada…pelo menos não vi nada de estranho! E duvido que tivesse havido alguma coisa…estivemos a noite toda aqui!
O oficial…baixou a 9 mm e sorriu… Sim, tens razão, a praia estava vigiada! Mas se por acaso te lembrares de qualquer coisa…o meu nome é Bates….Ibrahim Bates! O teu é?
- Fokas…Greenwood e estes são todos meus amigos.
- Sim…sabemos bem quem são os teus amigos…
Klara Allen e os seus irmãos tinham ficado em Portugal, fugidos de Viena durante a Segunda Guerra Mundial. Judeus perseguidos pelos nazis tinham conseguido passar a fronteira e fixado a sua residência na Ericeira. Isaac Weisman, refugiado que representava os interesses do Congresso Judaico Mundial em Portugal, tinha criado ali uma delegação para auxiliar a legalização dos estrangeiros judeus.
A maioria dos residentes estrangeiros dessa época na Ericeira eram solteiros, com passado político antinazi, republicanos espanhóis e judeus que tinham entrado ilegalmente e viviam na clandestinidade. Klara Allen era uma delas e foi em casa dela que tudo começou!
Maio 3, 2008 at 10:17 pm
e eu o mendigo é k durmo nas ruas né? e eu o mendigo é k durmo nas ruas né? (agora pareço o Scolari, xiça)